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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Delirium tremens

Tomado pelo abraço do dragão, ele se levanta ainda sonolento e cambaleante. Seu rosto marcado com vergões de um lençol barato. Coloca as mãos no bolso e descobre umas moedas. O caminho até a taverna era curto, duas quadras. Seus passos leves contavam as notas de seu próximo conto. Delírio. Edgar entra na antiga taverna no centro de Baltimore, depois se acomoda frente ao balcão e pede um conhaque. Suas moedas deram para meia dose. Num trago ele acabou com a pequena quantia do conhaque barato que acabara de comprar.
Edgar Allan Poe
Aos becos e ruas estreitas da cidade portuaria,  Allan Poe, como era mais conhecido, estava atrasado para sua aula de latim. Colocou a mão no bolso esquerdo do seu paletó preto e surrado e encontrou um pouco do ópio que comprou na noite anterior. Seus contos nunca seriam notados, pensou o pobre garoto de Boston, Estados Unidos.
Edgar Allan Poe nasceu em Boston no dia 19 de janeiro de 1809, filho de atores fracassados, sendo o pai David Poe Jr., que o abandonou um ano depois. Sua mãe, Elizabeth Arnold Hopkins Poe, morreu após o nascimento de Rosalie, a irmã mais nova de Poe, quando o pequeno Edgar tinha apenas dois anos.  Depois do ocorrido, um rico casal adotou a criança, Francis Allan e o seu marido John Allan, um mercador de tabaco bem sucedido de Richmond .
Gravura representando o conto:
O gato preto
Com os Allan, o pequeno garoto teve a oportunidade de estudar na Inglaterra, freqüentou a  escola de Misses Duborg em  Londres, e a Manor School em Stoke Newington, Poe voltou para Richmond em 1820, entrou na Universidade da Virginia seis anos mais tarde. Seus estudos duraram até o ano de 1827, quando foi expulso por ser boêmio e subversivo.
Sua roupa preta estava manchada com cinzas de cigarro. Seus pensamentos transformavam quase tudo em extraordinário. Tragos. Rasgos. Um gato preto passa arrepiado, esfregando seu frágil corpo no sapato opaco do poeta. Dois corvos saem voando e emitindo seus devidos sons. Uma nuvem cinza sobrevoa em direção à cidade. Angustiado, Poe segue em passos apressados agora. Sua fome ronca em seu estomago judiado pelos dois dias de apostas no jogo, conhaque e opium. O rosto sujo e oleoso precisava urgentemente de um bom banho quente. Os pingos da chuva densa começam a cair em suas costas doloridas. Em alguns instantes não vai mais estar na chuva, sua casa aparece após a esquina de uma mansão abandonada. Poe parava todo dia em frente a antiga mansão, mas nesse dia com a chuva, a pressa não deixou que ele observasse na janela do sótão do antigo casarão. Alguma sombra apareceu junto com o brilho de um relâmpago. Poe precisava descansar.
A banheira já estava cheia de água quando Poe acendeu o seu cachimbo com ópio. Suas pupilas dilataram-se lentamente e seu cérebro começou a sentir o efeito da papoula. Os músculos relaxaram quando afundou sua cabeça na água morna. Os delírios voltaram atormentar sua consciência. Insetos asquerosos subiam pelo azulejo do banheiro. Mariposas grudentas pairavam em redor a sua cabeça cheia de ópio. Ao sair da água, sentiu o frio que cortava seus delírios. A toalha branca enxugou os cabelos pretos do escritor. Alguns insetos insistiam escalar suas pernas brancas e com espumas de sabão. Algo poderia estar acontecendo com a sua realidade. Virginia Eliza Clemm Poe chegou no pequeno quarto do casal e viu o marido se debatendo e falando coisas absurdas quando saio vestindo o paletó limpo e com um semblante desesperado.

Lápide do tumulo do escritor

Edgar A. Poe, foi encontrado com roupas que não eram as suas no dia três de outubro de 1849, aos 40 anos, jogado em uma das ruas de Baltimore, tendo alucinações provindas de delirium tremens, uma psicose causada pela abstinência ou suspensão do uso de drogas ou medicamentos freqüentemente associada ao alcoolismo, mas que também pode se apresentar com o uso prolongado ou abusivo de benzodiazepínicos ou barbitúricos. O escritor foi levado ao Washington College Hospital, mas morreu apenas quatro dias depois.
Nunca foram apuradas as causas precisas da morte de Poe, sendo bastante comum, apesar de incomprovada, a idéia de a causa do seu estado ter sido embriaguez. Por outro lado, muitas outras teorias têm sido propostas ao longo dos anos, de entre as quais: diabetes, sífilis, raiva, e doenças cerebrais raras.
 A velha mansão abandonada próxima da sua casa, continua existindo até os dias de hoje. Algumas pessoas dizem passar por lá e ouvir barulhos estranhos no calar da noite. Várias pessoas disseram já ter visto em dias de chuva sombras nas janelas após os clarões das rajadas de relâmpago. Outros disseram ver duas sombras. Contos de terror, de morte e de medo. Edgar continua assombrando os pensamentos dos leitores que por ventura descobrem sua obra. Um gênio que como muitos morreu pobre e louco. Desventuras. Loucuras. Situações mundanas.


Gustavo Ribeiro
Campinas, SP.

terça-feira, 12 de julho de 2011

A Hard Day's Night

Enquanto a gritaria na escada continuava, ele saiu de canto em seu sobretudo preto e um chapéu na cabeça. Os passos se estendiam mais rápidos diante a multidão que o seguia. Algo estava prestes a acontecer. Suas mãos acolchoadas pelo tecido grosso de sua veste esquentavam uma moeda que ele apertava com a mão esquerda. O suor que nascia feito orvalho em uma manhã fria da primavera.
As costas machucadas latejavam como uma banda marcial, perfeitamente. Os gritos histéricos foram deixados para longe com as portas e os vidros fechados de uma limusine. John Lennon sairia pela última vez para ceder uma entrevista em rádio. 48 horas antes de seus últimos sorrisos em um planeta chamado Terra. Falou sobre seus desejos de permanecer em Nova Iorque, das manifestações do governo americano em não dar o visto para o ex-integrante dos Beatles morar em seu país. Julgavam-no como um forte perigo imediato contra as bases governamentais americanas e que tinha um grande poder para mudar uma futura eleição para a presidência nos Estados Unidos da América. Disse também que em Nova Iorque podia sair e passear no parque sem ser incomodado. "As pessoas me cumprimentam e só" disse, "Eae John? como vai o seu filho?" continua.
Cartaz criado por John e Yoko
            "Nunca passaria em sua cabeça que alguém pudesse querer assassiná-lo." disse Yoko Ono, mulher do ex-beatle. Mas na noite de 8 de dezembro de 1980, quando voltava, ao edifício Dakota onde morava, em frente ao Central Park, John foi abordado por um rapaz que durante o dia havia lhe pedido um autógrafo em um LP Double Fantasy em frente ao Dakota. O rapaz era Mark David Chapman, um fã dos Beatles e de John, que acabou disparando 5 tiros com revólver calibre 38, os quais 4 acertaram em John Lennon.
A polícia chegou minutos depois e levou John na própria viatura para o hospital. O assassino permaneceu no local com um livro nas mãos, "O Apanhador no Campo de Centeio" de J.D. Salinger. John morreu após perder cerca de 80% de seu sangue, aos quarenta anos de idade.
Logo após a notícia da morte de John Lennon, que correu o mundo, uma multidão se juntou em frente ao Dakota, com velas e cantando canções de John e dos Beatles. O corpo de John foi cremado no Cemitério de Ferncliff, em Hartsdale, cidade do estado de Nova Iorque, e suas cinzas foram guardadas por Yoko Ono.

Na última sessão de fotos, uma semana antes de ser assassinado

John, que nasceu em Liverpool no dia 9 de outubro de 1940, hoje estaria com 70 anos e talvez viesse fazer um show no Brasil e arrecadar pequenas fortunas ao redor do mundo, assim com Paul McCartney anda fazendo. Não acho que ele não faria isso. Em alguns sonhos perdidos em minha mente estranha, gostaria de rever alguns de meus ídolos mortos em uma roda de troca de informações. Nela John com certeza estaria sorrindo, com um violão na mão e soltando as incontáveis melodias que ficaram escondidas e talvez nunca mais ninguém as encontre.



Gustavo Ribeiro

terça-feira, 28 de junho de 2011

Mister Mojo Risin

Poderia falar aqui que ele morreu com 27 anos também, seguindo a regra de seus amigos Brian Jones, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, e do companheiro de causa, Kurt Cobain mas isso todo mundo sabe. Poderia falar que ele era o vocalista do The Doors, banda norte americana formada por Ray Manzarec (teclado) Robbie Krieger (guitarra) e John Desmore  (contrabaixo) todos ririam de mim e pediriam para contar algo que ninguém saiba.
James Douglas Morrinson estudava cinema em Los Angeles, na Universidade da Califórnia (UCLA). Após a graduação pela UCLA, e um encontro casual com o seu antigo colega Ray Manzarek em Venice Beach, "Jimbo" como era chamado por seus colegas, recitou alguns poemas (entre os quais o famoso "Moonlight Drive"), e Manzarec  o convidou para formar uma banda. Nasceria aí o The Doors, em meados de 1967.
O nome da banda – The Doors - foi inspirado no livro “The Doors of Perception de Aldous Huxley.
Certo dia, como reza a lenda, Jimbo estava em um bar com seu empresário. Ele tinha uma mania um pouco estranha, chegava no balcão e pedia oito doses de vodka, enquanto não bebesse as oito não saia nem para ir ao banheiro. Algumas garotas que estavam no bar, perceberam a presença do vocalista do Doors e logo se aproximaram. Para Morrison apenas mais duas garotas doidas querendo trepar, elas pediram para ele fazer sexo com as duas naquele mesmo instante, ele sorriu e disse que até poderia ser mas elas teriam que esperar ele terminar seus copos com vodka. Uma das garotas então pediu para que ele a deixasse pelo menos fazer sexo oral com ele, então Jim abaixou o ziper da insepáravel calça de couro e o fato se consumou durante a conversa com o seu empresário, no meio de um bar no final dos anos sessenta.
Mr. Mojo Risin, (um anagrama formado com as letras do seu nome) como ele se auto intitulou curtiu todas as drogas que lhe eram ofertadas. Com uma atitude do caricato rockstar conquistava fãs por onde passava com sua banda. Em 1971 a banda resolveu dar um tempo, Morrison então foi morar em Paris com sua namorada Pamela Courson com o proposito de se concentrar na escrita. Em Paris, morreu em 3 de Julho de 1971, na banheira, aos 27 anos.
Em sua música “The end”, Morrison canta: Este é o fim/Belo amigo/Este é o fim/Meu único amigo, o fim/Dos nossos elaborados planos, o fim/De tudo que permanece, o fim/Sem salvação ou surpresa, o fim/Eu nunca olharei em seus olhos de novo...”

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sexo, drogas e um pouco de Rockandroll!!!

Todos costumam achar que os Stones deixaram os Beatles no chinelo no que se refere a bacanais extravagantes, mas o próprio Lennon disse que os “Fab Four” apenas ocultavam melhor seus excessos sexuais. Em uma entrevista de 1970 à revista Rolling Stone, ele comparou a vida dos Beatles às orgias da Roma antiga, dizendo: “ Na falta de fãs, chamávamos putas. O que rolasse. Tem fotos minhas saindo rastejando de puteiros de Amsterdã com pessoas dizendo: ‘ Bom dia John!’”
Quanto a aventuras homossexuais, há mais boatos do que verdade. Especula-se que Lennon dormiu com Brian Epstein (empresário dos Beatles) quando os dois estavam de férias, apesar de o músico ter ridicularizado cruelmente o empresário por ser gay – declarando, por exemplo, que a autobiografia de Epstein, “ A cellarful of noise” ( Um porão barulhento), deveria ter sido intitulada “ A cellarful of boys” ( Um porão cheio de garotos). Enquanto isso, muitos fãs acreditavam que Jagger transou com David Bowie, apesar de os dois terem negado, e a  história parece ter começado como um golpe publicitário da ex-esposa de Bowie, Angela (que aparentemente não foi inspiração para a música  “Angie” dos Stones.
Em relação aos triângulos amorosos, do lado dos Stones, o caso foi entre Brian Jones, Keith Richards e Anita Pallenberg. Richards levou a melhor; o casal ficou junto de 1967 a 1979 e teve três filhos.
Com os Beatles, o triângulo formou-se com George Harrison, Pattie Boyd e Eric Clapton. O casamento entre Harrison e Boyd terminou depois de onze anos em 1977; já Clapton e Boyd ficaram casados de 1979 a 1988. Clapton compôs “Layla” em 1970, sobre seu amor platônico na época.









Gustavo Ribeiro

fonte: The Beatles vs Rolling Stones: A grande rivalidade do Rock´n´Roll

sexta-feira, 17 de junho de 2011

1993

No canto estava ele, caído com sua guitarra pendurada no pescoço. Sua dose diária não tinha sido injetada. A caipirinha estava fazendo efeito junto com um calor insuportável do verão carioca. O garoto de 25 anos sucumbiu à falta de heroína. Com um vestido, Kurt Cobain começou a engatinhar em direção ao backstage. Sem dúvida um dos piores shows da sua vida. I SEE YA.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A primeira viagem dos Beatles


Aquela manhã cinza de Londres podia ficar bem mais colorida ao passar das horas. John Lennon colocava suas botas pretas para o seu passei depois do primeiro cigarro. Seus cabelos estavam precisando de um pouco de higiene, não se importou.
Na sua casa cheia de árvores, George Harrison brincava com seu cachorro na grama em frente ao jardim. Seus movimentos de guitarristas ainda atrapalhados pela noite anterior. Um copo com chá o esperava na mesa da sala de estar, tinha um encontro com seu amigo na casa de um dentista maluco.
George Harrison e John  Lennon viajaram juntos  com LSD, pela primeira vez  em 1964 na casa de um dentista londrino, logo após um jantar. Na casa ainda tinha um sujeito chamado Michael Hollingshead que era praticamente um missionário do ácido lisérgico.
Hollingshead andava por aí com um pote de maionese cheio de ácido vindo dos laboratórios da Sandoz na Suíça, onde o LSD foi sintetizado pela primeira vez pelo químico Albert Hofmann, ele tinha como missão converter o maior número de pessoas possível, mas Harrison e Lennon odiaram aquela primeira “viagem”. Eles acabaram no carro de Harrison dirigindo em alta velocidade por Londres, totalmente fora de si. Foi só mais de um ano depois, seguindo o conselho de Tim Leary em  A experiência psicodélica- sua interpretação do Livro Tibetano dos mortos, com todo aquele papo de controlar a postura e o ambiente-, que Lennon “viajou” em seu sótão, seguiu a direção da luz. Na manhã seguinte compôs “Tomorrow never knows”.


Gustavo Ribeiro

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Baú encantado

Nas profundezas de um baú cheio de discos, acabo de encontrar uma preciosidade. Led Zeppelin IV foi  o quarto álbum de estúdio do grupo britânico, lançado em 8 de Novembro de 1971.
Não possui qualquer título oficial mencionado na capa e é habitualmente designado de Led Zeppelin IV. Os catálogos da Atlantic Records costumam usar Four Symbols (Quatro Símbolos) e The Fourth Album (O Quarto Álbum). O guitarrista dos Led Zeppelin, Jimmy Page, frequentemente refere-se ao álbum em entrevistas como Led Zeppelin IV, enquanto que o vocalista Robert Plant designa-o de "o quarto álbum”.
É um dos álbuns mais vendidos da história, com mais de 23 milhões de cópias vendidas somente nos Estados Unidos. As vendas a nível mundial estimam-se para cerca de 37 milhões de cópias. O meu eu tinha guardado desde que nasci, porem alguém foi no atelier da casa do meu pai e levou o disco. Estava então sem um dos meus discos prediletos desde minha infância.
Um dia estava na casa de um amigo, um dia antes do meu aniversário, me ofertou uma cerveja e colocou a sua caixa de vinis em meus pés. Ele tinha dois Led Zeppelin IV. Pedi disfarçadamente como presente, não me prometeu pois me disse que era de seu irmão. No outro dia todos meus amigos reunidos, algumas meninas que queriam ouvir outros sons a não ser o rockandroll, desatei o nó. Liguei o meu setlist, espantando várias daquelas senhoritas que nem eu mesmo conhecia. Quando me aparece “Vudu”  e um embrulho de jornal. Logo já pensei que poderia ser o disco, eis que abro o pacote e estava lá, o ancião carregando um fardo de algum mato nas costas. “Black Dog”, “ Going to California”, “Stairway to Heaven”. Meus ouvidos treinados agradeceram. O sorriso estampado no rosto anunciava a minha satisfação.
Poderia até mesmo ser o disco que ouvia quando criança. Poderia ser os mesmos riscos que eu tinha produzido enquanto rastejava e me melecava com o resto de brigadeiro da panela. O eremita que fica dentro do encarte, segurando um lampião e olhando tudo aquilo lá de cima de seu morro me iluminando o caminho para uma audição perfeita. Pede-se um litro de vinho tinto seco, velas e uma companhia agradável. I SEE YA.

Gustavo Ribeiro

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Nas raízes do Delta

A guitarra só acompanha as mãos suadas quase que acabando o show. As mãos negras de um bluesman. Buddy Guy. Sua guitarra branca e creme acompanhando seus anéis e correntes de ouro e sua camisa de seda brilhante.
Os dedos escorregam as casas sem preocupação e nenhuma vergonha. Não sai do lugar, apenas balança as pernas e as mãos, em um sincronismo perfeito. Mais um solo é finalizado com maestria. Uma palheta jogada ao público. Eu tenho a minha guardada em casa. Não precisam acreditar, mas eu tenho.
Os escravos libertos e suas gaitas. A guitarra depois de um trabalhoso dia. Jimmy Hendrix, nascido  Johnny Allen Hendrix em Seattle dia 27 de novembro de 1942 faleceu em Londres em 18 de setembro de 1970 em circunstâncias que nunca foram completamente explicadas. Havia passado parte da noite anterior numa festa, onde a namorada Monika Dannemann o havia buscado, e ambos seguiram para o Hotel Samarkand, no número 22 da Lansdowne Crescent, em Notting Hill.
Na noite anterior,  Hendrix tomou nove comprimidos de um remédio para dormir que a namorada utilizava, segundo o depoimento dela. De acordo com o médico que o atendeu inicialmente, Hendrix tinha se asfixiado (literalmente afogado) em seu próprio vômito, composto principalmente de vinho tinto.
Quando chegou na Inglaterra, diz a lenda, que o seu empresário o levou em um show que estava tendo naquele dia, o Cream de Eric Clapton. Na platéia estavam alguns dos deuses do rock: Mick Jagger, Lennon, Keith Richards e mais alguns outros figurões. No intervalo o empresário de Hendrix, convenceu Clapton que, deixasse o maluco com lenço na cabeça e roupas estravagantes, subisse ao palco e mandasse uma jam. Clapton deixou meio que irônico, saiu dando uma risadinha de desdém.
Quando subiu ao palco, o negro estranho de roupas coloridas, tirou sua guitarra da “bag” surrada e cheia de adesivos com as  cordas todas invertidas. O canhoto recém chegado da América, tirou canções do Cream totalmente modificadas e com outros arranjos. Keith Richards, o guitarrista dos Rolling Stones, virou pro lado e disse para Eric Clapton, “ Cara, eu nunca vi um negro tocar assim”, Clapton com a boca aberta respondeu, “ Eu nunca vi nenhum ser-humano tocando assim”.
Final de tarde no Mississipi. As famílias reunidas para mais um crepúsculo. O sol se pondo. Os tios afinando seus violões. Os sobrinhos mais novos com as gaitas. Hendrix cresceu ouvindo e tocando em rodas de blues. Verdadeiras rodas de blues. Seu primeiro instrumento foi uma gaita que um tio deixou ele tocar quando tinha uns quatro anos de idade. Ficava batendo os pés no meio da roda e seu tio ao perceber ofereceu o seu instrumento. Nascia ali um dos maiores guitarristas de todos os tempos.


Gustavo Ribeiro

quarta-feira, 1 de junho de 2011

30 dicas para você escrever bem

Texto do professor João Pedro - UNICAMP
1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??... então
9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa !@#$%&.
10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem idéias próprias".
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-Ias-ei!"
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!
25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-Ia nos seus diversos componentes de forma a torná-Ias compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.
29. Outra barbaridade que tu deves evitar tchê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, !... nada de mandar esse trem... vixi... entendeu bichinho?
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Homem na Caixa

O homem na caixa se debatia como se estivesse dentro de uma casca de noz. Seus cabelos encaracolados e loiros se enroscavam nas frestas da pequena caixa de madeira. O garoto de voz rasgada queria se soltar.
Layne Stanley só queria saber como era seu pai. Aos oito anos de idade seus pais se divorciaram, Phil Staley e Nancy McCallum. Layne foi morar com sua mãe e suas irmãs. Na escola era quieto e não falava com muitas pessoas. Nasceu dia 22 de agosto de 1967 em Kirkland, Washington. Em 1987 conheceu e começou a tocar com Jerry Cantrell. Com o movimento grunge de Seattle, o Alice in Chains entra na industria cultural.
Boa parte das suas letras, falavam do seu vício em heroína e da falta que sentia do seu pai. Achava que com a banda, seria mais fácil de encontrá-lo. Teve uma surpresa ao descobrir que seu pai era um junkie também, o que ajudou em sua depressão e fez com que aumentasse o ritmo das drogas. Seu pai ia em ensaios pedir dinheiro para Layne.
A sua jornada no mundo das drogas se alongou à beira do precípicio. Após diversos rumores de suicídio, Layne caiu em depressão profunda após a morte de sua namorada Demri Parrot, vítima de endocardite bacteriana, doença causada pelo uso de drogas injetáveis. Após isso, seus problemas com as drogas só pioraram e Layne acabou sendo encontrado sem vida em seu condomínio, vítima de uma overdose letal de heroína combinada com cocaína (droga conhecida como "speedball") no dia 20 de abril de 2002, seu corpo já estava  entrando em estado de decomposição.
O dia da sua morte foi dado como 5 de abril pela perícia, coincidentemente o mesmo dia da morte de Kurt Cobain, outro ídolo da música grunge. Ao lado de seu corpo foram encontrados diversos tipos de drogas e até mesmo pertences pessoais.
Os dois morreram em Seattle, supostamente no mesmo dia. Vítimas de uma torturosa briga contra seus vícios e sua paranóias pessoais, deixaram um legado de músicas que mudaram uma geração.
Na caixa caída em meus pés, avisto logo de cara o "Facelift" em vinil. Alguém querendo sair de uma gosma. Placenta. Nojenta. Semiótica. Revolta. Silêncio.




Gustavo Ribeiro

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Rascunhos de um sonho

 Sua jornada começou na varanda da casa de Dale Crover, onde dormia dentro de uma caixa de geladeira.  Depois, Kurt Cobain foi morar na van de um amigo em Aberdeen, na época que o Nirvana ainda não tinha este nome. O nome do amigo dele era Buzz Osborne, vocalista e guitarrista do Melvins.  Quando fez a música “Something in the Way”, Kurt anunciava para o mundo que tinha morado em baixo de uma ponte das barrentas margens do  rio Wishkah. Ficava vagando da  "MelvAN", (como era chamada a van dos Melvins) algumas vezes ia ao  Hospital Comunitário de Grays Harbor, que há 16 anos tinha nascido. Fingia que estava esperando alguém e dormia ali mesmo na sala de espera.
Quando conseguiu fazer um teste com os Melvins, Kurt levou sua guitarra, mas se apavorou na jam session, não dando motivos para ele se tornar um membro da banda. O garoto queria mais. Montou uma demo, gravada na casa de sua tia Mari, com um amigo na bateria. Essa fita caiu nas mãos de Krist Novoselic, (ele trabalhava em uma lanchonete na época) que ao ouvir a música “Spank Thru”, decidiu que queria formar uma banda com aquele maluco.
Fecal Matter, foi o primeiro nome que o Nirvana teve.
Cobain andava de capa de chuva quando estava um calor de 30 graus. Ficava o dia inteiro com sua guitarra no sótão da casa de sua mãe Wendy,  antes de sair para morar por vários lugares. Ficava na casa do pai Donald Cobain, da mãe, dos tios. Certa vez dividiu a casa com um integrante do Melvins, o baixista Matt Lukin. Ele tinha um rato de estimação, se chamava Kitty, ganhou da ex-namorada Tracy Marander.
Um antigo baterista da banda, chegou com ressaca em um ensaio do protótipo do Nirvana, ele o expulsou. Era muito sério em relação a isso. Tinha gasto parte de sua vida estudando e compondo, não abria espaços para bagunça.
Quando tinha quatorze anos de idade, sozinho começou a fazer curtas, com uma câmera super-8 que emprestou do seu pai. No filme, alienígenas (interpretados com figuras que Kurt modelou com argila) aterrisavam na casa dos Cobain. Tinha quatorze anos, quando ganhou a primeira guitarra de um tio doidão, que tinha uma banda na década de setenta. Nessa mesma época, estava indo para escola, com um amigo, quando encontraram o irmão desse amigo enforcado em uma árvore. Na escola todos estavam preocupados com o sumiço  das duas crianças. Encontraram os dois sentados na frente do corpo que balançava com o vento gelado de Aberdeen.

Costumava pedir para um cara que comprasse bebidas para ele quando ainda não tinha a maioridade. Esse cara tinha uns duzentos quilos. Kurt ia com um carrinho de compras buscá-lo em casa, levava-o até o supermercado (dentro do carrinho) e depois o trazia de volta. Sua banda preferida era o “Melvins”, e foi o primeiro concerto punk que ele assistiu no verão de 1983, em Montesano no estacionamento atrás do supermercado que o guitarrista e empacotador Roger "Buzz" Osborne trabalhava. 
Kurt espalhava em suas diversas entrevistas dadas ao longo de sua carreira meteórica, que conseguiu sua primeira guitarra, após pescar os rifles de seu padrasto. Wendy, após uma briga com o namorado, jogou no rio Wishkah. Na verdade, ele realmente as pescou, com a ajuda de dois amigos e comprou um amplificador Fender Deluxe com o dinheiro das armas. Kurt jamais deixava que alguém introduzisse a verdade para atrapalhar uma boa história. 
Kurt Donald Cobain, cheio de maluquices, mas foi um gênio, talvez incompreendido, talvez mal observado. Nos resta agora escutar o que deixou gravado, e respeitar o fato que ele e sua banda mostraram um novo caminho para as bandas independentes do mundo todo. Desde sua infância conturbada, à sua adolescência cheia de tortuosos momentos, até sua morte inesperada, o último messias do rockandroll.
Meus olhos ardem e consigo respirar melhor. O sonho acabou. Tomo um copo com leite e saio colocando a blusa nos braços. Meu ônibus está para chegar.



fonte: "Heavier than heaven"   ("Mais pesado que o céu") 
Charles R. Cross
editora Globo
    
Gustavo Ribeiro


segunda-feira, 16 de maio de 2011

O garoto que parecia um líder de banda

As manhãs de segunda-feira são tão engraçadas. As pessoas não gostam. Mais um dia, isso me basta para querer viver cada segundo. O sol não esquentava tão bem a pequena cidade cheia de paralelepípedos. Meus olhos acostumavam com a claridade que começa a penetrar a janela do quarto. A gelada brisa do começo do outono faz com que procure logo uma camisa para me esquentar.
O toca-discos estava pronto com o LP do Radiohead na agulha. Algumas músicas para animar um lindo dia nublado. A noite passada tinha sido gelada com a lua vigiando quase cheia, quase. As cinco caixas conectadas faziam uma audição perfeita em meu quarto azul. E as estrelas de longe ouviam em silêncio.
O que sua mente suja está pensando agora?
De volta ao mundo terreno, subi ao trabalho pelas mesmas ruas estreitas de outros dias. As senhoras varrendo suas calçadas. Homens com sapatos lustrados indo na padaria logo que voltarem do banco. As ruas continuam sendo minhas. Geladas e cinzas.


Quando me aproximava do prédio em que trabalho, uma criança estava sentada no chão da calçada brincando com seu carrinho, me olhou e ficou parado me observando enquanto chegava perto dele. Os olhos iguais ao do Thom Yorke, vocalista e guitarrista do Radiohead, banda inglesa do inicio dos anos noventa.
Thomas Edward, mais conhecido como Thom Yorke, nascido em 1968, com o olho esquerdo paralisado. Guitarrista, pianista e compositor. Ele é líder de uma das bandas mais respeitadas da atualidade.
O garoto me olhou atravessar a rua, ele nem sabe de nada ainda. Fiquei pensando em como ele poderia ser daqui uns vinte anos, com uma guitarra nas mãos e criando canções para as gerações futuras ou o mundo vai o tragar em seu redemoinho nefasto ?


Thom Yorke os irmãos Collin (baixo e sintetizador) e Jonny Greenwood (guitarra) junto com Ed´Obrien (guitarra) e Phill Selway (bateria e percussão), misturam música eletrônica com rock alternativo, misturado com letras e riffs que beiram a perfeição. O primeiro single da banda foi “Creep” em 1992 e o primeiro album foi lançado em 1993 e se chama “Pablo Honey”.
Com o segundo álbum de estúdio, “The bends”, (1995) a banda inglesa ganhou notoriedade na cena musical, emplacando sucessos como:  High and Dry", "Fake Plastic Trees" e "My Iron Lung”. Em 1997 foi lançado o terceiro, aclamado pela critica e pelos fãs, dando projeção mundial à banda inglesa. “Ok Computer”, está em todas as revistas especializadas de música como um dos melhores albuns gravados na história do rockandroll. O álbum traz  sucessos como “ Paranoid Android”, “Lucky”, ‘Karma Police’ e “No surprises”.
Com o quarto e quinto, Kid A (2000) e Amnesiac  (2001), a banda começou a brincar com elementos e sonoridades eletrônicas, deixando em segundo plano os componentes básicos do rockandroll (guitarra, bateria e contra-baixo).
Em “Hail to the Thief”(2003), sexto álbum de estúdio, Yorke e seus companheiros, misturaram tudo que a banda fez em seus trabalhos anteriores, como as guitarras distorcidas, música electrônica e letras contemporâneas.


Em 2007, cinco anos sem nenhum trabalho novo e depois de romperem o contrato com a gravadora Emi, a banda inova e lança seu sétimo álbum, “In Rainbows”, que só estava disponivel para donwload digital e deixa os compradores escolherem o preço que iriam pagar causando um alvoroço na indústria músical. “Jigsaw Falling into Place” foi o primeiro single do álbum. “Nude” foi o segundo single do disco e era tocada ao vivo desde 1997 mas só foi entrar em um disco dez anos mais tarde.



Em 2011 o Radiohead termina seu oitavo Long Play. O álbum se chama ‘King of Limbs”, e já na primeira semana estava entre os discos mais baixados da internet. O vídeo da música “Lotus Flower”, o primeiro single do disco, foi lançado em 18 de Fevereiro e apresenta um filme em preto e branco do vocalista Thom Yorke dançando. O vídeo foi dirigido por Garth Jennings e coreografado por Wayne McGregor foi colocado no canal oficial no Youtube da banda,  um dia antes das músicas estarem disponiveis para download.

Voltando ao mundo real, estava ouvindo “Codex” do “King of Limbs” quando encontro o garoto com o mesmo olhar do Thom Yorke. Pequeno. Loiro. Me olhou quase que pedindo para eu formar uma banda com ele. O que será dele daqui uns vinte anos? Não sei, ninguém saberá. Não sabemos de nada que está por vir. Esse é o grande prazer da vida. A dúvida, sem elas não estariamos aqui agora, cheio de ferramentas modernas de comunicação. Ao garoto, ouço um som e bebo mais um copo com água.



Gustavo Ribeiro
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terça-feira, 10 de maio de 2011

EU TAVA LÁ!!

Uma manhã nublada  na grande cidade de São Paulo,  ingrediente básico para uma visita à capital paulista. Na cabeça uma única coisa, conseguir encontrar o lugar onde os shows iriam rolar. O dia nublado me deixava tranqüilo naquela manhã do dia 26 de novembro de 2005. O terminal da Barra Funda continuava sua caminhada para mais uma jornada, quando meu ônibus  do interior acabara de chegar.
Eram umas nove horas, parcialmente encobertas pelas nuvens cinzas de poluição de mais uma madrugada. Tinha sido tragada pela manhã gelada que se estendia com uma leve garoa em minhas costas molhadas. Metro de manhã, algumas milhares de pessoas indo trabalhar, outras  milhares voltando para casa.
Fazendo um pulo de umas seis horas que não importariam a ninguém saber, lembro que fui para a Galeria do Rock, peguei um ônibus até o Parque do Ibirapuera e tive que encontrar na raça onde ficava a casa de um amigo, Rafael Calil, que semanas antes tinha colocado um bife para fritar, partiu pra um cochilo, resultado quase colocou fogo no prédio inteiro.
Quando o show dos Stooges começou, uma legião de garotos estavam nos ombros dos pais, que se espremiam no meio daquela multidão de quase 25 mil pessoas para ver o padrinho do punk-rock. James Newell Osterberg, mais conhecido como Iggy Pop, subiu ao palco com uma calça jeans feminina, única coisa que ele pediu para a produção do evento ( os Good Charlote, pediram toalhas de seda, travesseiros e blá, blá blá) e ficou a semana inteira no Brasil com a mesma roupa.
Eu não conhecia ainda tão bem e mal sabia a importância que tinha aquele coroa com seus 60 anos de idade, para o mundo do ROCKANDROLL, o quarteto de Detroit, com a mesma formação, que há trinta anos, tocou seus primeiros acordes, pude sentir na pele o que foi aquilo em 1969, com a Guerra do Vietnã, os hippies em São Francisco, The Doors em Los Angeles.
Os gritos que Iggy soltava ecoava por toda aquela multidão de pessoas, que compartilhavam um dos melhores presentes que todos que estavam ali poderiam ganhar.  
O cara mais intocável do punk, no começo da carreira, ele subiu nos palcos com o corpo todo coberto de pasta de amendoin, alguma garota subiu no palco e tocou nele, o show acabou no mesmo instante, então o jovem Iggy, revoltado com tudo, e com todas as misturas de drogas possíveis na cabeça, surtou e a banda teve que parar de tocar para não arrumarem mais problemas.
No Brasil ele foi mais afável, quando um punk invadiu a barreira dos seguranças e conseguiu chegar perto de seu ídolo, outros dois seguranças do palco, pegaram o infeliz e o jogaram de uma altura de uns três metros.
O líder dos Stooges, esperou acabar a música e chegou bem perto do cara que fez isso, um grandalhão de uns dois por dois e começou a gritar para ele, quando se virou para o público e mandou toda aquela multidão subir para perto da banda. Não deu outra.
Eles começaram tocar uma música que falava da morte dos rock stars,  "Dead Rock Star", e Iggy estava sentado no meio daqueles 60 malucos, que ele trinta anos atrás, sairia chutando todo mundo. Pegaram palhetas, puxaram seu cabelo pulavam loucos com baquetas nas mãos, troféus estes que seriam valiosos para o resto de suas vidas.
O show já tinha passado de uma hora, os sexagenários senhores punks resolvem fazer uma reprise e tornam a tocar "I wanna be your dog", o lugar quase veio a baixo, mas a harmonia era tão forte que nem a garoa gelada da noite paulistana deixou nada de ruim acontecer.
Naquele dia eu queria saber onde que o Iggy e os Stooges iriam depois daquele show, ainda teria um show do Fantômas para assistir naquela noite,  mas esse fica para outro dia. I SEE YA!
SET LIST: